« O perfume que se espraia pela casa. O conforto
do aroma promissor de tardes aconchegadas do mundo que nos corrói, a concha em
que nos fechamos para ilusoriamente parecer que está tudo bem. Abro a porta do
forno desconfiada. Esta que vos escreve desconfia quase sempre dos seus feitos
culinários, uma insegurança miudinha que me assalta. Sempre. Estaria bom? Deixo
passar o tempo, a espera curiosa. Abro o forno minutos depois e anuncio da
cozinha 'Pode não estar bom mas, olha, dei o meu melhor'. Que melhor metáfora
para a vida? »
domingo, 20 de maio de 2012
« Há alturas na vida em que precisamos de mudar de
(l)atitude. Ter essa coragem. Precisamos sair um bocadinho da nossa zona de
conforto e aceitar que o princípio também pode ter fim. Abrir os braços aos
recomeços, agradecer por tudo o que temos e desejar que a vida (tão sábia e
previdente) nos conduza sempre pelo melhor caminho. É preciso ter humildade para
admitir que não estamos sempre certos e que pedir desculpa por erros e falhas é
sinal de maturidade e não de fraqueza. E depois deste exercício urge virar a
página e seguir em frente.
É que uma mudança, naturalmente imposta por outras
mudanças, é um momento de renovação. E para a viver em pleno e aproveitar tudo o
que tem para nos dar é preciso parar de olhar para trás, projectar o olhar no
horizonte e confiar no que está por vir. Com fé, muita fé. Fé em nós, nos outros
e em tudo o que de bom merecemos receber. »
sábado, 19 de maio de 2012
Recordações sem fim ,
Tenho em mim uma caixinha de recordações,
forrada com tecido vermelho acetinado,
onde guardo o melhor dele!
O melhor sim,
porque para mim,
ele será sempre o melhor..
.. e o maior.. *
terça-feira, 15 de maio de 2012
Dia Internacional da Família
Numa altura, em que os valores estão cada vez mais invertidos, encontra-se também o próprio núcleo familiar, em vias de extinção, já que outras prioridades se sobrepõem e já ninguém tem tempo ou paciência para estar com aqueles que (ou que mais deveria) ama.
Não posso, deixar passar este dia, sem fazer o meu próprio tributo à minha família. Não somos perfeitos, cada um com o seu feitio, cada um com os seus argumentos, discutimos, choramos e fazemos imensas birras, mas a união faz a força e com todos a remar para o mesmo lado, conseguimos alcançar o bom porto.
O que para mim são os rituais normais de uma família, já que é esta a realidade que SEMPRE vivi, tem se mostrado cada vez mais um oásis. A hora da refeição, não é só um momento em que seres institivamente se alimentam, levantam os rabos da cadeira e saem; cá em casa, é a hora em que seres humanos, falam do seu dia, conversam sobre temas variados, veêm a novela (sim, é verdade vemos novelas), debatem os problemas de forma nua e crua, sem coxixos pela casa, porque estes também são assuntos de crianças, adolescentes e recém-adultos (é inevitável, o que afeta um, afeta todos), fala-se de como as crianças são feitas (de forma mais ou menos prevertida), trocam-se risos, sorrisos e lágrimas.
Há torneios de matraquilhos, sueca e monopoly, há quem pergunte a matéria, para que se tenha a certeza que ficou tudo na ponta da língua, há discussões em que se dizem "nãos" que cá fora, no mundo de aparências, jamais saem da boca para fora, mas estes obrigam-nos a rever a vida e a melhorá-la.
O que sou a eles o devo, porque me obrigam a avançar, apoiam-me e tiram-me o tapete, quando este é feito do pior material ou já tem demasiado pó, para que possa ser renovado.
Obrigada família, por serem anormalmente unida e (me fazerem) imperfeitamente feliz.
domingo, 13 de maio de 2012
Montanha Russa -
É incrível a capacidade de adaptação que o ser humano tem (ou que é obrigado a ter)! Um dia acordas e o Sol invade o teu quarto de brilho e luz, no dia seguinte olhas pelo canto da janela e tudo em volta é cinzento. Hoje estás na tua casa, sentado no sofá a ver televisão e amanhã, se for preciso, já estás a ver televisão mas num outro canal, numa outra terrinha, de um qualquer país vizinho. Hoje estás num mundo à parte onde tudo é perfeito e daqui a uma hora cais à terra num grande turbilhão. Um dia deitas-te e tens do teu lado todos aqueles que precisas, instantes depois falha-te o chão e ficas impávido a ver o tempo correr e nada podes fazer para os outros prender..
E há duas semanas, era tudo tão diferente.. *
sexta-feira, 11 de maio de 2012
« é que eu sempre vi a vida difícil quando não
estavas. às vezes era porque me esquecia das chaves em casa, outras vezes porque
já não havia cereais suficientes no pacote para encher uma taça. eu sempre vi a
vida difícil quando não estavas e isso fazia-me uma confusão estranha. porque
achava que de outra forma tu estarias lá para me abrir a porta, ou para ir
rapidamente à mercearia do fundo da rua, ou para me aquecer os pés, ou para me
ajeitar o cabelo. mas a vida era difícil quando não estavas porque a vida não é
mais fácil quando estás, mas simplesmente aí ela já não me faz confusão de
todo. »
Um dia vou ao teu encontro e conto-te tudo o que se passou enquanto não estiveste.. *
Ao meu mundo, por vezes, inverte-se-lhe o ponto gravitacional e fica tudo de pernas para o ar. Quando preciso de estabilidade, alicerces para que fique tudo lindo, direitinho e firme, dá-se um tombo e tiram-me o tapete, chão e tudo o que por baixo houver.
Se precisar de estar direita, mandam-me 2 naifadas: - Toma lá que não tens culpa nenhuma, mas és a que está mais a jeito e vais levar com todo o mal que em mim desabou.
É preciso inverter o ponteiro mais uma vez, porque o que eu neste momento preciso é d eolhar para o meu umbigo e deixar de tentar remediar os males do mundo.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
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