terça-feira, 9 de outubro de 2012

Os 'amores' de hoje em dia!

 
Lembro-me de há umas semanas atrás me sentar aqui para falar daquilo que satisfaz as nossas gerações. Das noitadas, dos copos, das bebedeiras, da fugacidade com que se vive o dia-a-dia. Hoje, acordei assustada com a fugacidade com que também se vivem as relações.
Cada vez mais há a necessidade de estar com alguém, mesmo sem se gostar de alguém. Há a necessidade de um outro corpo, de uma outra presença, mesmo sendo ela alheia ao nosso coração. Há a necessidade do toque, de umas horas bem passadas, de uma noite bem animada e de um amanhecer envolto num ‘até já’ que tanto representa um ‘até depois’, depois esse incerto, como um ‘até nunca’. É bom enquanto dura, dizem os experientes. Mas, mal chega a durar, digo eu. Porque é tudo tão rápido, tão daquele momento, que não se pode sequer considerar uma relação, com um princípio e um fim. É assustador como cada vez mais se prefere o toque, os amassos e as cambalhotas aos abraços, às conversas, às caminhadas ao ar livre, aos gelados nos dias de verão e aos jantares nas noites de inverno. Cada vez mais se prefere fazer um filme do que assistir a um filme. Cada vez mais se ignoram os sentimentos, se ocultam as histórias de vida e se passa logo à acção. Cada vez menos há a capacidade de assumir um compromisso, a vontade de sair à rua e gritar ao mundo o quanto se é feliz.. Há sempre alguma coisa que falta. Pode haver amizade, o gostar, a saudade, a falta, o querer tentar, o não querer desistir.. Aparentemente, podem estar todos os ingredientes presentes na mesa mas, há sempre alguma coisa que falta. Há prioridades mal definidas, há amores que se confundem com amizades e amores que não sobrevivem pelas restantes amizades à volta. Mas, se não sobrevivem, será que chegam mesmo a ser amores? Hoje, é mais importante um jantar com meia dúzia de cervejas e uma garrafa de sangria na companhia de meia dúzia de marmanjos do que estares lá a tentar acalmar toda a saudade que dizes sentir. E digo “dizes” sim.. Porque, se a sentisses de verdade, não havia jantares, não havia noitadas que te fizessem feliz, enquanto aquela falta te rói cada milímetro bem cá dentro.
Hoje não se luta pelos amores, hoje apenas se luta pela felicidade naquele instante. E espera-se que o tempo ou lá o que quer que seja tragam o resto. Hoje, não entendo o que vai na cabeça de quem gosta, muito menos o que vai no seu coração. Não importa o teu corpo e a tua presença, a tua mão.. Importa um corpo, uma presença, uma mão..

6 comentários:

  1. Esses momentos sao bons para anestesiar um pouco a saudade, a falta o vazio que algo magnifico e que ja nao existe deixou, pode levar semanas, meses ou anos a passar.
    Mais uma vez parabens pelo post, ando cada vez mais desanimado com o que me rodeia e preocupado com o futuro, e nao e com o futuro economico ou politico, mas algo um pouco mais importante. ;(

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  2. Eu não ando preocupada mas ando intrigada contigo :/
    Ainda assim, obrigada :)

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  3. o que te intriga: quem possa ser? o que escrevo? porque acompanho o blog? etc...:/

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  4. so um dado intrigante, desde fevereiro de 2011 que tenho o privilegio de acompanhar o teu blog ;)

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  5. Quem possas ser, o que escreves, porque acompanhas o blog.. Acho que há aqui alguma coisa estranha!

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  6. hmm, tambem sou de Viseu, ja tive um blog, mas isso tudo pode ser intrigante, mas nao tem nada de estranho. Estranho so mesmo o facto de eu nao saber como cheguei ao teu blog, pois uma vez descoberto seria estranho nao acompanhar, nao achas? Podia elogiar muitas coisas do blog, dos textos, da tua personalidade, a forma como escreves, mas vou colocar numa palavra o porque de acompanhar o blog... porque sinto muito o que escreves nele!

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